segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Jogos/Atividades para Alunos com DI

Jogos/Atividades para Alunos com DI

Os jogos e as brincadeiras são estratégias metodológicas que auxiliam no desenvolvimento das habilidades cognitivas de alunos com Deficiência Intelectual, facilitando a construção do seu conhecimento. A Psicologia do Desenvolvimento tem destacado que a brincadeira e o jogo desempenham funções psicossociais, afetivas e intelectuais básicas no processo do desenvolvimento cognitivo.
Dentre eles queremos destacar o uso de  jogos da memória, conforme indica POULIN, FIGUEIREDO, GOMES, 2013: “Como forma de superar dificuldades relacionadas a memória de curto prazo”. Utilizando esse recurso pedagógico, o professor de AEE deve “realizar gradualmente intervenções durante a atividade” para que o aluno desenvolva a capacidade de uso de estratégias cognitivas para a resolução de problemas.

Jogos da Memória

Figura 1 Jogo da Memória Turma da Mônica

Figura 2 Jogo da Memória Educação no Trânsito


Nesse jogo, os participantes estabelecem relações entre imagens e posição no tabuleiro. O desafio é organizar as cartas para, depois, conseguir localizar cada uma delas.

Objetivos do jogo:
Divertir-se com o jogo da memória;
Conhecer as regras do jogo;
Memorizar o lugar onde estão as cartas, formando pares.

Material necessário:
Cartões com seus pares. Os cartões podem ser confeccionados pelos alunos com a ajuda do professor de AEE, de acordo com temas de interesse do aluno, utilizando carimbos ou figuras de revistas, encartes de supermercados, operações matemáticas etc.

Participantes:
Pode ser realizado em dupla, em grupo ou individual. Existem as versões multimídia em que o aluno pode jogar sozinho, sempre com a orientação do professor.

Apresentar o jogo
Em roda mostrar o jogo e organizar as peças para que as crianças vejam como se joga. Inicialmente propor o jogo da memória aberto (com as imagens voltadas para cima) e propor para que as crianças encontrem os pares. 
Deixar que as crianças manuseiem os cartões, sem pressa de que se apropriem das regras convencionais.  Deixar que as crianças joguem sem fazer intervenções sistemáticas nas jogadas de cada uma. A professora de  AEE  pode  ser uma das participantes do jogo e servir como modelo para as crianças.

Criar novos jogos e variações do jogo da memória 
Após o jogo tornar-se bastante conhecido, pode-se pesquisar variações do jogo da memória, tais como lince (um tabuleiro grande com imagens pequenas que as crianças devem procurar a partir de cartões com imagens duplicadas) . 

Avaliação 
Devem-se criar pautas de observação para analisar as diferentes maneiras como as crianças jogam e o grau de envolvimento de cada uma delas. A partir da análise das pautas o professor  de AEE pode fazer os ajustes com relação ao grau de dificuldade do jogo, com isso propor novos desafios e variações.

Variações:
  • Jogo da Memória de Matemática: subtração com base no 10.
Você sabe quanto é 10-2? E quanto é 10-8? Nas cartas, encontre os pares com as contas e seus respectivos resultados.

  • Jogo da Memória: descubra os dobros.

Aspectos trabalhados:
Atenção, concentração, memória, linguagem, socialização.

Referências:

FIGUEIREDO, V. Rita, GOMES, L. L. Adriana e POULIN, Jean R. O aluno com Deficiência Intelectual: Funcionamento cognitivo e estratégias de avaliação. UFC, 2013.

Vale, Tânia Gracy Martins. Práticas educativas: criatividade, ludicidade e jogos. In: Práticas em educação especial e inclusiva na área da deficiência mental/ Vera Lúcia Messias Fialho Capellini (org.). – Bauru: MEC/ FC/ SEE, 2008.

Revistaescola.abril.com.br. Acesso em 18/10/2013.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

TA e AEE para Deficiência Física

TECNOLOGIA ASSISTIVA E AEE PARA DEFICIÊNCIA FÍSICA


        A Tecnologia Assistiva – TA é um termo utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência, promovendo vida independente e inclusão (Bersch, 2007).
        Os recursos de acessibilidade ao computador fazem parte de uma modalidade da TA, dentre várias, que considera as necessidades e interesses do aluno, a análise da atividade escolhida e as habilidades do aluno. Essa organização por modalidade contribui para desenvolver pesquisas, recursos, especializações profissionais e organização de serviços.
        Os recursos de acessibilidade ao computador são um conjunto de hardware e software especialmente idealizado para tornar o computador acessível, podendo ser utilizado por pessoas com dificuldades motoras e sensoriais.
        São exemplos de equipamentos de entrada os teclados modificados, os teclados virtuais com varredura, mouse especiais e acionadores diversos, software de reconhecimento de voz entre outros. Como equipamentos de saída podemos citar a síntese de voz, monitores especiais, os softwares leitores de texto (OCR) etc.
Um exemplo sobre a função desses recursos como facilitadores do acesso à aprendizagem:

Habilidade: o aluno que não pode manusear o mouse convencional ou usar um teclado, mas pode tocar ou apontar o monitor.
Opção: explorar o uso de tela sensível ao toque. Tela sensível ao toque é uma tela colocada em frente do monitor ou que está integrada ao monitor e que permite ser ativada com o toque do dedo ou de uma caneta especial.






        Monitor com tela de toque

Esse recurso de alta tecnologia pode ser incorporado no uso diário por estudantes com deficiência física, visando ampliar o desempenho acadêmico.

Referência:

Deficiência Física/ Carolina R. Schirmer... [ET AL.] – São Paulo: MEC/SEESP, 2007. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O papel do professor do AEE


O papel do professor do AEE
Suely Souza Lira

         Promover a inclusão da pessoa com deficiência na escola e na sociedade favorecendo sua participação plena e considerando suas necessidades específicas deve ser o objetivo primordial do professor do AEE – Atendimento Educacional Especializado.
         O perfil do professor do AEE deve ser do profissional aberto à mudanças, à relações dialógicas com o mundo e com os outros, um pesquisador, demonstrando inquietação, curiosidade e sempre buscando novos saberes.
         Esse profissional deve atuar também de forma colaborativa com o professor da classe comum e com demais professores - de Educação Física por exemplo, para a definição de estratégias pedagógicas, brincadeiras e jogos adaptados que favoreçam o acesso do aluno com deficiência ao currículo e  promover, através de orientações pedagógicas, as condições para a inclusão desse aluno em todas as atividades escolares e a sua interação no grupo.
         Algumas atribuições também são inerentes ao professor do AEE, tais como, orientar as famílias na participação do processo educacional do aluno, preparar, elaborar e adaptar materiais pedagógicos específicos para o uso do aluno na SRM e na sala de aula comum, articular com gestores e professores a elaboração do projeto político pedagógico da escola numa perspectiva de educação inclusiva.
         O trabalho do professor do AEE é baseado na Aprendizagem Colaborativa em Rede – ACR, cujo objetivo é investigar e identificar os possíveis problemas que estejam limitando a aprendizagem do aluno na classe comum. Identificado o problema e orientado pelo estudo de caso, o professor desenvolverá um plano de atendimento educacional especializado, que é a escolha dos recursos, equipamentos, metodologias, estratégias e apoios mais adequados para eliminar as barreiras que impedem esse aluno de ter acesso ao que é ensinado na sala de aula comum, garantindo-lhe a participação no processo escolar e na vida social em geral, de acordo com suas capacidades.
         Por fim, professor do AEE deve ser capaz de pautar sua prática pedagógica de acordo com a diversidade, as necessidades específicas, os diversos saberes e culturas e as formas diferentes de aprender de cada aluno, o principal sujeito nesse processo de aprendizagem. 



terça-feira, 18 de junho de 2013

Deficiência Intelectual

A PEDAGOGIA DA NEGAÇÃO

Alguns professores privilegiam o caminho das aprendizagens mecânicas quando atuam junto aos alunos que apresentam deficiência intelectual. Ao invés de apelar para situações de aprendizagem que tenham raízes nas experiências vividas pelo aluno, atividades essas capazes de mobilizar seu raciocínio, propõem atividades baseadas na repetição e na memória. Frequentemente, essas atividades são desprovidas de sentido para os alunos. Esses professores privilegiam o caminho das aprendizagens mecânicas sob o pretexto de que os alunos os quais apresentam deficiência intelectual manifestam numerosas dificuldades nos processos de aprendizagem, que eles agem pouco no mundo no qual evoluem e enfim, sob o pretexto de que os alunos antecipam o fracasso e não se apoiam sobre seus conhecimentos quando estão em situação de aprendizagem ou de resolução de problemas.
Agindo desta maneira, tais professores se comportam como se não reconhecessem no aluno que apresenta deficiência intelectual um sujeito capaz de crescimento e de afirmação. Seu acompanhamento pedagógico parece respaldado por uma concepção de aluno que se apoia sobre a ideia de insuficiência ou de lacuna, mesmo de falta no que diz respeito ao raciocínio. Os professores não reconhecem nesse aluno capacidades cognitivas as quais convém mobilizar para favorecer a melhor interação com o meio onde ele vive. Consequentemente, eles negam um aspecto absolutamente fundamental do desenvolvimento humano, a saber, o intelectual. Em suma, eles se fecham em uma pedagogia da negação. Uma pedagogia que não reconhece o potencial dos alunos, sobretudo daqueles que apresentam deficiência intelectual e que, consequentemente, causa prejuízos para as suas aprendizagens e autodeterminação.
A Pedagogia da negação encontra sua fonte na superproteção, que é um parente próximo da rejeição. A superproteção de um professor em relação a um aluno que apresenta deficiência intelectual pode se manifestar de várias maneiras. Por exemplo, quando o professor propõe frequentemente atividades que não provocam dificuldades verdadeiras para o aluno, com medo que ele perca a motivação para aprender ou com receio que ele não seja capaz de realizar a atividade. Quando aprova o trabalho do aluno sem que o aluno tenha demonstrado um esforço para a realização dele. Quando resolve o problema no lugar do aluno, logo que ele apresenta dificuldades. Quando o professor não desafia o aluno, provocando dúvida, contrapondo ideias. Quando o professor coloca na mochila do aluno o material necessário para os deveres e para as lições de casa ou quando resolve a tarefa para o aluno, ele está atuando sob o princípio da pedagogia da negação. É importante considerar que uma das grandes responsabilidades do professor de sala de aula, bem como do professor do AEE, consiste no desenvolvimento intelectual e da autonomia do seu aluno.
O desenvolvimento intelectual do aluno com deficiência deve ser objeto de preocupação constante do professor. A inteligência deve ser estimulada e educada para que ele possa evoluir. E o aluno que apresenta deficiência intelectual não escapa à regra. Mesmo o aluno que apresenta uma necessidade de apoio importante ou intenso, pode tirar proveito de intervenções educativas destinadas a favorecer ou estimular o desenvolvimento de suas estruturas intelectuais. Os exemplos, neste sentido, são numerosos na literatura científica. Diante dessa realidade, é inadmissível que a Pedagogia da negação continue a fazer adeptos entre os professores que têm a responsabilidade pela educação dos alunos. Um exemplo de atividades inadequadas é quando o professor impõe aos alunos longos exercícios de multiplicação com ajuda de tabuadas sem que tenham construído o sentido da multiplicação. Os alunos podem dar respostas corretas apoiados apenas na tabuada, de forma mecânica, copiando resultados, sem compreender o sentido da operação.
Nem todos os alunos que apresentam deficiência intelectual chegam a assimilar as operações de multiplicação e de divisão e a compreender o sentido destas. Este professor seria mais bem sucedido em sua ação pedagógica, se tivesse como objetivo o desenvolvimento lógico-matemático de seus alunos, se propusesse atividades de aprendizagem próximas aos interesses deles com base nas experiências vivenciadas por eles. Deste modo, o professor, provavelmente, teria contribuído mais para o desenvolvimento dos alunos e permitido a eles aprendizagens mais significativas. A qualidade da vida social e profissional das pessoas que apresentam deficiência intelectual repousa em boa parte sobre bases que são o desenvolvimento intelectual e as aprendizagens significativas que teve na escola e fora dela.
Quando o professor percebe a capacidade de o aluno aprender, ele empreende ações que possibilitam essa aprendizagem.

A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar
O Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Intelectual
Marcos Seesp-Mec Fasciculo II.qxd 10/11/2010 10:12 Page 7,8.



Preste atenção!
Deficiência intelectual (DI) é um termo que se aplica quando uma criança ou  pessoa apresenta certas limitações, tanto em seu funcionamento mental quanto no desempenho de tarefas comuns, como as de comunicação, cuidado pessoal, relacionamento social etc. Logo, pessoas com DI são mais lentos para aprender e se desenvolver.


Revista Guia Prático para Professores de Ensino Fundamental I. Ed. Escala Educacional. Número 107.